Crise de Mão de Obra Ameaça a Construção de 600 Mil Novas Casas na Espanha em 2025

A Espanha enfrenta um desafio alarmante no setor da construção civil: o país precisa erguer cerca de 600 mil novas moradias até o fim de 2025, segundo cálculos do Banco da Espanha, mas faltam trabalhadores suficientes para dar conta da demanda. A escassez de mão de obra qualificada, o envelhecimento da força de trabalho e a baixa produtividade estão travando a capacidade de resposta do setor diante do explosivo crescimento da necessidade por habitação, especialmente em grandes centros urbanos e regiões turísticas.



O estudo do BBVA Research mostra que, em março de 2025, o setor empregava apenas 6,8% da população ativa, quase dois pontos abaixo da média histórica das últimas três décadas. Para efeito de comparação, em 2007, no auge do boom imobiliário, a construção civil representava cerca de 14% dos postos de trabalho do país. Após o colapso de 2008, a participação do setor caiu drasticamente, atingindo um mínimo de 5,5% em 2014. Embora tenha havido uma leve recuperação desde então, o ritmo está longe de acompanhar a urgência atual.

Outro fator preocupante é a idade média dos trabalhadores. Mais de 55% dos profissionais da construção têm mais de 45 anos — um número que supera em mais de cinco pontos a média de outros setores. Os pedreiros são o grupo mais afetado: 65% têm mais de 45 anos, seguidos por encanadores (52%) e carpinteiros e pintores (acima de 43%). A única exceção são os eletricistas, cuja faixa etária majoritária está entre 30 e 44 anos, sinalizando uma leve renovação.

O rejuvenescimento parcial da força de trabalho tem sido impulsionado pela imigração. Desde 2022, o número de trabalhadores estrangeiros na construção aumentou visivelmente, especialmente nas funções mais operacionais, como pedreiros, ajudantes de obras, encanadores e pintores. É graças a essa mão de obra que o setor vem conseguindo evitar um colapso mais grave. No entanto, ainda é raro encontrar imigrantes em posições de maior qualificação, como engenheiros e arquitetos, o que limita a capacidade de inovação e gestão das obras.

Além da idade e da falta de pessoal, o nível educacional dos trabalhadores representa outro entrave. O relatório destaca que a formação dos profissionais da construção na Espanha é inferior à média da União Europeia. Isso impacta diretamente na produtividade, na adoção de tecnologias modernas e na qualidade final dos projetos. A ausência de programas de capacitação técnica e a lentidão em modernizar métodos construtivos tornam o setor menos eficiente e menos atrativo para os jovens.

Sem uma estratégia nacional voltada à formação profissional, políticas migratórias específicas e a valorização das condições de trabalho no setor, a meta de construir 600 mil casas em 2025 se tornará inatingível. A Espanha corre o risco de enfrentar um colapso habitacional se não agir com rapidez e planejamento. É preciso não apenas mais trabalhadores, mas trabalhadores mais jovens, mais qualificados e inseridos num modelo produtivo que responda aos desafios da urbanização contemporânea.